Aproximou-se da entrada da sua toca e ficou admirando a chuva forte enquanto saboreava a última coxinha de pardal que enterrara no cantinho de casa, e ficou a imaginar como seria o seu futuro político (que a tanto tempo planejava e que agora queria colocar em prática), e quem poderia servir para os seus propósitos.
Urdia há muito tempo o plano de ascender politicamente na floresta, e agora, no meio da noite, parece que tinha encontrado a solução: a rede.
Ficou matutando e o primeiro nome que lhe veio à cabeça foi... Fox Network. Bom, pensou. Mas não vai colar. Os daquele lado vão argumentar que é uma organização estrangeira, vão ligar-me a ela e aí? Aí, pimba, lá se vai a minha candidatura.
Pensou, pensou, e descobriu um nome sugestivo: Rede Raposa de... (isso é o que menos importa).
Para início de uma campanha já tinha apoios importantes. Na semana anterior fizera uma viagem à terra dos burrinhos e através de uma aliança podia contar com o apoio deles à sua candidatura. E pensava que só o voto dos burrinhos certamente a garantiria, mas não podia negligenciar. Em todos os segmentos há os dissidentes. E tinha que admitir que por mais burrinho que fosse um burrinho, talvez não fosse tão burrinho para atirar-se de cabeça em sua candidatura.
Quando parasse a chuva trataria imediatamente da sua campanha. Assim como estava não dava mais para continuar. Foi até um canto da sua toca, procurou e achou uma útil bolsa para encher com alguns mimos para os seus eleitores burrinhos. Capim, não precisava mais do que capim.
Só em sua candidatura seria um desastre, pensou. Então precisava de alianças. Quem, quem poderá me ajudar? Isso, isso, isso, pensou. Os urubus. Faria uma aliança com os urubus. Estes, com seu olhares aguçados e fulminante ficariam a sobrevoar seu território e cuidar os passos dos seus eleitores. Até mesmo dos fiéis burrinhos que poderiam virar a casaca em troca de algumas migalhas de grama.
E assim fez quando o sol apareceu. Apetrechado com algumas bolsas que dariam para engambelar muitos burrinhos e suas infelizes famílias, partiu pelos campos e pensando já em santinhos passou no retratista.
Dali foi a um conhecido que poderia serviu como seu marqueteiro: o gato. Este ao saber das intenções da velha raposa impôs uma condição: só daria o seu apoio à candidatura e faria o marketing se fosse nomeado o ministro de finanças. A raposa topou, mesmo sabendo que o matreiro conhecia algo que ela não conhecia: o pulo do gato. Mas tinha que aceitar, porque, um gato a mais ou um gato a menos, como uma raposa a mais ou uma raposa a menos, não fará tanta diferença.
Assim saíram a raposa e o gato a distribuir santinhos e combinando o que fazer para o sucesso da campanha. Concluíram que ainda faltava uma coisa: um porta-voz. Sim, mas quem seria. Ora, ora, disse o gato, quem mais apto do que o papagaio? E só dizer que ele repete direitinho. E lá foram para a casa do papagaio.
Eu vou, eu vou, eu vou, ser deputado, eu vou. Eu vou, eu vou, eu vou. Seguiram cantando pelos campos e florestas.
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