domingo, 12 de setembro de 2010

O PLANO FLATULENTO

Malandrová é um lugarzinho pacato e simples lá na Terra da Maracutaia. É um lugar que às vezes os costumes surpreendem os visitantes da cidade grande que lá chegam. Uma das grandes surpresas de um turista recém chegado é com a educação dos homens. Eles têm um costume diferente daqueles das grandes metrópoles da Terra da Maracutaia. Em Malandrová, expelir gases não é motivo para vergonha. Isso só para os homens, pois as mulheres do lugarejo, como as de todos os lugares, parece que são imunes a esse fenômeno que deveria ser natural. Pelo menos é o que elas afirmam.

Para ludibriar os viajantes que poderiam não gostar da diferença de costumes, trocando seu itinerário turístico e consequentemente não deixando mais seus “mirréis” no local, os moradores da cidade adotaram uma engenhosa estratégia: batizaram o “pum” de, vejam só, Plano Político. Incrível, mas verdadeiro. Já foi possível para todos que moram e visitaram Malandrová, ouvir e sentir todos os tipos de ruídos e cheiros de Planos Políticos. Seria possível, se algum estudioso de Planos Políticos desejasse, fazer verdadeiras teses sobre os puns de Malandrová.

Dos Planos que eram soltos a todo momento, barulhentos, surdos, molhados, contínuos, até os que saem sem aviso, o que mais atazanou a vida dos moradores de Malandrová, lá na Terra da Maracutaia, foi o último, ensurdecedor, propagado entre discursos de todos os tipos. Explodiu como uma bomba nuclear, parecendo possuir radioatividade e seu efeito fez-se sentir por um tempo tão grande que surpreendeu até quem o soltou. Para um turista desavisado, ele poderia comparar o Plano, “pum” de Malandrová, com aqueles que os safados, gozadores de elevadores e transportes coletivos soltam discretamente, silenciosos, mas capazes de permanecer no ar por um grande tempo. Mas o pior de tudo é agüentar a cara incógnita do sacana que solta o Plano Político e sai de perto, e as pessoas, pobres coitadas, apavoradas, sem saber o que fazer, a praguejar, têm que aturar a arte do espertinho.

A estes espertalhões, que soltam seus Planos, “puns” em Malandrová, e se afastam para junto de seus apaniguados para rirem dos infelizes que têm que aturar o cheiro fétido que exalaram por onde passaram, deixando um rastro que por longo tempo permanece entranhado nas pessoas, o repúdio de todos que se sentem atingidos.

O pior, é que depois do Plano Político solto e o safado afastar-se discretamente como um inocente, mesmo lá em Malandrová onde expelir gases em público é uma coisa normal - é bom lembrar que Plano Político é só uma estratégia, um apelido jocoso e carinhoso - todos se olham desconfiados, procurando saber se ele, o peidão, está ali ou já abandonou o local do crime tentando parecer um homem limpo. A conseqüência lógica é que sempre depois de um Plano Político, em Malandrová, lá na Terra da Maracutaia, vem sempre uma grande reforma - reforma é outro batismo estratégico, jocoso e carinhoso aplicado lá em Malandrová.

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