SONHO DE PALHAÇO (das sofridas ilusões)
Um Calvero... Uma Teresa.
A internet proporciona inúmeros prazeres. Um dos meus favoritos na grande rede é baixar músicas.
Encontrei algumas que, sinceramente, imaginava que jamais voltaria a ouvir. Uma delas, de Antônio Marcos, levou-me a relacionar parte da letra ao cotidiano. O autor diz que é uma pessoa simples, e que se algum dia seu nome fosse publicado no jornal, certamente seria por motivos muito tristes.
Ironicamente podemos relacionar este fato a todos os pobres deste país. Trabalhadores que no anonimato constroem esta nação às vezes em troca de uma palavra que gosto de usar bastante em meus textos, migalhas. E além destas migalhas, não recebem o reconhecimento público, a fama fica reservada às celebridades muitas vezes por motivações tristes, muito tristes ao palhaço, pois atendem interesses só de palhaços.
Então, quando o Pobre Palhaço é famoso? A exemplo da canção, geralmente nos obituários dos jornais. Ali, têm as vidas estampadas, as suas biografias, as suas fotografias das carteiras de identidades, que certamente sempre consideraram horrorosas e faziam questão em vida de nunca mostrar para ninguém. Pobres ficam famosos quando uma calamidade como enchente ou incêndio arrasam seus barracos, quando então, podem, no momento oportuno da fama, vangloriar-se da perda de bens que durante o seu dia-a-dia constituíram-se em seus males, pois nunca representaram nada de significativo em suas vidas.
Deprimente, não é mesmo? Então, vou encerrar o meu texto com o trecho de outra canção do Antônio Marcos que diz assim:
Vejam só que história boba eu tenho pra contar,
Quem é que vai querer me acreditar,
Eu sou palhaço sem querer,
(...) que coisa incrível o meu coração,
Todo pintado e esta solidão,
Espera a hora de sonhar,
O mundo sempre foi um circo sem igual,
Onde todos representam bem ou mal,
Onde a farsa de um palhaço é natural,
No palco da ilusão pintei meu coração,
Entreguei amor e sonhos sem saber,
Que o palhaço pinta o rosto pra viver...
Homenagem a todos que no anonimato, com seus rostos encobertos, sonham com as luzes da ribalta, mas que infelizmente só conseguem ter desvelados seus rostos quando o seu próprio sangue retira a pintura que os encobre sobre, possivelmente, um asfalto gelado.
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