O testo a seguir publiquei no blog do Proea_RG há algum tempo atrás. Volto a publicá-lo porque acredito que servirá para que os leitores deste espaço conheçam um pouco mais a nossa cidade.
PANORAMA HISTÓRICO CULTURAL
DE RIO GRANDE
Os aspectos naturais da área do município do Rio Grande sofreram alterações significativas após a chegada dos europeus no século XVIII. Este espaço de terreno sedimentar arenoso, na sua área que compreende o perímetro urbano e o Cassino, foi paulatinamente se transformando. As ilhas, a macega, a mata nativa, foram desaparecendo com as dragagens e a construção de moradias na margem da lagoa.
As condições naturais proporcionaram o desenvolvimento de inúmeras indústrias que desde o final do século XIX começaram a surgir e a desaparecer de acordo com a situação política e econômica do país. Sem um planejamento adequado, as fábricas instalaram-se em diversos locais da cidade. A Avenida Portugal contava com inúmeras fábricas de pescados e alimentos. Na Rua Domingos de Almeida havia uma cordoaria. Na Rua Senador Corrêa e Reinghantz fábricas de tecidos. Na Rua Tiradentes fábrica de sabão. Na Marítima fábrica de sacos de aniagem. Na Avenida 15 de Novembro fábrica de refrigerantes. Na Rua Val Porto uma refinaria. E se enumerados, serão certamente centenas de estabelecimentos que davam uma característica toda especial à cidade do Rio Grande.
Em uma cidade portuária e industriária como Rio Grande, quando abordamos o tema meio ambiente, imediatamente procuramos nas fábricas as respostas para todas as mazelas. Mas tratando o assunto com o critério que merece, veremos que é um equívoco imaginar que os problemas históricos ambientais rio-grandinos se restringem à industrialização da cidade. Não resta a menor dúvida que o critério desenvolvimentista, sem preocupações adequadas à causa ambiental, permitiu e continua permitindo agressões ao meio ambiente da cidade do Rio Grande. No entanto, devemos ressaltar que aquele paraíso encontrado por índios e portugueses, de uma região com imensas dunas, lagoas enormes que se formavam entre elas durante o inverno e permaneciam até o final da primavera como criadouro de peixes e girinos, atraindo aves migratórias e com ela toda a cadeia natural desapareceram não só pela presença das indústrias, mas por diversas outras atividades humanas despreocupadas com a preservação do meio em que viviam.
Devemos considerar que a simples presença humana, numerosa, desordenada, é predatória, destrói os habitats, gera desequilíbrios que demandam muitos anos para a sua reversão, quando ela é possível.
A palavra desastre ambiental sempre remete a acontecimentos como o de Chernobyl na extinta URSS, ou exemplo próximo, o do navio Bahamas que derramou várias toneladas de Ácido Sulfúrico na Lagoa dos Patos. Entretanto, desastre pode ser entendido de outra forma, mais próxima das necessidades ambientalistas, em que todas as transformações devem ser cuidadosamente planejadas, pois afetam uma vasta área com impactos proporcionais ao descaso.
A cidade do Rio Grande como a grande maioria das cidades brasileiras careceu e carece de planejamento que deveria ser acompanhado de projetos ambientais. Assim, a ocupação da cidade desde os seus primórdios, quer pelo seu isolamento inicial, quer por interesse econômico, ficaram sempre atrelados à decisões dos concentradores de renda e consequentemente de poder, que sempre estiveram descompromissados com as formas de ocupação do meio e como conseqüência, dos impactos dos investimentos, criando sérios problemas ambientais e sociais, como agressões à fauna e a flora, a favelização e, resultado disso, sem saneamento básico, com toneladas de esgoto doméstico e efluentes industriais jogados irresponsavelmente na lagoa.
As grandes dunas que circundavam a praia do Cassino foram comercializadas. Entre as décadas de 1940 e 1970 caiu a cerca de arame que separava o Campo da Hidráulica na Domingos de Almeida para dar lugar a construção de casas. A rua Comendador Henrique Pancada que até a década de 1960 era um belíssimo cartão postal foi submetida a um processo de favelização. E antes e depois destes, outros tantos problemas acarretados pela ocupação desordenada do homem desfiguraram o quadro natural inicial.
O processo continua, e se os prédios históricos caíram e certamente continuarão a cair, apagando os vestígios humanos mais recentes, é de extrema importância que para a preservação dos vestígios naturais, projetos ambientais sejam exigidos e rigorosamente estudados para que o pedaço de paraíso seja preservado ao máximo.
BIBLIOGRAFIA
DIAS, Leda Maria Castro. A memória como suporte de uma reflexão sobre petrimônio cultural. Scientia Histórica. Vol. 2. Rio Grande, 2004.
MAGALHÃES, Renato Martins. O cinema em 16 mm na periferia da cidade do Rio Grande na década de 1960: um estudo de caso. Scientia Histórica. Vol. 2, Rio Grande, 2004.
MAGALHÃES, Renato Martins. O cinema em 16 mm na periferia da cidade do Rio Grande na década de 1960. Monografia, FURG, 2001.
MARTINS, Solismar Fraga. A visão dos moradores sobre o planejamento urbano: um estudo sobre o Bairro Santa Tereza. Rio Grande: FURG, 1997
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