Da arte de escutar
(Professor Roberton Reis)
Desse modo, escutar também é uma forma de aprendizado, pois quando prestamos atenção no que os outros dizem, além de termos a possibilidade de aprender algo, temos a oportunidade de tirar nossas próprias conclusões sobre o que é dito, evitando, dessa forma, a alienação, a concordância plena e sem questionamento. Escutando com atenção e tentando obter uma compreensão a cerca do que é dito, evitamos a mania tão comum de falar bobagem.
Já diz o velho ditado: “Falar é prata; calar é ouro”. Saber ouvir é uma arte. Conter o impulso, o desejo quase descontrolado de falar, muitas vezes sem ter certeza do que dizer é, realmente, um grande feito. Conclusão: escutar, às vezes, é mais importante que falar. Isso não tem nada a ver com o outro ditado “quem cala consente”. Estamos falando aqui sobre uma discussão, um debate, enfim, de uma situação que aborde um assunto que não dominamos, por exemplo.
Falar, expor suas ideias, quem sabe até manipular o outro, com palavras, é um dom. E, como tal, não é para todos. O dom do “falar bem”, a dádiva da “oratória”, clara, coerente, argumentativa, de forma que todos te ouçam, prestem atenção, te “escutem” é uma benção. Poucos foram os agraciados. Então, resta a nós, não afortunados, a arte de escutar, que também é um dom. Quantas pessoas, por não ficarem caladas na hora certa, acabaram se dando mal? Com certeza muitas. Isso fica claro nos recentes escândalos aqui do nosso governo estadual. Se não falassem tanto, tudo ficaria na surdina.
Pense nisso: se não há nada importante, concreto, inquestionável para ser dito, escute. Preste atenção e, depois, se for necessário, exponha suas opiniões. Não duvide da capacidade de quem fica ali quietinho, que quase não fala nada, pois, com certeza, ele está escutando, prestando muita atenção para depois ter o que dizer, ou não. Alguém duvida da capacidade do escritor Luis Fernando Veríssimo? Impossível. Ele quase não fala. Não gosta de falar em público. Mas escreve que é uma barbaridade.
Roberton Reis
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