terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Esta praça está um pouco diferente, mas onde se localiza?
É um exercício de retorno após quase três anos.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

E A VIDA PASSA



TRADUÇÃO DA MÚSICA HELP
(Lennon - McCartney)

Socorro! Eu preciso de alguém!
Socorro! Não qualquer pessoa
Socorro! Você sabe que eu preciso de alguém socorro!

Quando eu era jovem, muito mais jovem que hoje
Eu nunca precisei da ajuda de ninguém em nenhum sentido
E agora estes dias se foram, eu não sou uma pessoa assim tão segura
Agora eu acho. Eu mudei minha mente e abri as portas

Ajude-me, se você puder, eu me sinto pra baixo
E eu aprecio você estar por perto
Ajude-me, coloque meus pés de volta no chão.
Você não vai, por favor, ajudar-me?

E agora minha vida mudou em muitos sentidos
Minha independência parece dissipar-se na neblina
Mas de vez em quando me sinto tão inseguro
Eu sei que preciso de você como nunca precisei antes

Ajude-me, se você puder, eu me sinto pra baixo
E eu aprecio você estar por perto
Ajude-me, coloque meus pés de volta no chão.
Você não vai, por favor, ajudar-me?

Quando eu era jovem, muito mais jovem que hoje
Eu nunca precisei da ajuda de ninguém em nenhum sentido
E agora estes dias se foram, eu não sou uma pessoa assim tão segura
Agora eu acho. Eu mudei minha mente e abri as portas

Ajude-me, se você puder, eu me sinto pra baixo
E eu aprecio você estar por perto
Ajude-me, coloque meus pés de volta no chão.
Você não vai, por favor, ajudar-me?

Fonte: http://the-beatles.letrasdasmusicas.com.br/help-traducao-letra.html

domingo, 10 de outubro de 2010

O MITO DA CAVERNA

Relendo o Livro Sétimo da República de Platão retirei o seguinte:

(...) “em seguida”, eu disse, “ compara o efeito da educação e da sua falta na nossa natureza a uma experiência como a seguinte: imagina seres humanos habitando uma espécie de caverna (...) e ali desde a infância, fixados no mesmo lugar, com pescoço e pernas sob grilhões, unicamente capazes de ver à frente, visto que seus grilhões os impedem de virarem suas cabeças...”

E por aí segue Sócrates debatendo.

Analisando o texto, penso que os professores são a camada social privilegiada, aquela que saiu da caverna. E aí está o xis da questão: a dificuldade que ele sente quando retorna ao seu mundo original, ao qual todos nós originalmente pertencemos: o do desconhecimento.

Dentro do mundo atual globalizado, tudo se tornou mercadoria. Dessa forma, embora alguns educadores mordam a isca, e divulguem aos quatro cantos do mundo fartos textos sobre reprovação e repetência, devemos considerar o que os educadores de gabinete desconsideram: é que para o sistema, aluno repetindo é custo. Mais importante para os administradores da educação neste país é que eles consideram que aluno é estorvo, professor é estorvo. Só conseguem enxergar a educação, absurdamente, como uma atividade não produtiva, porque não acontece a troca imediata com seu respectivo dividendo. Conseqüentemente, alunos reprovados dentro da escola significam mais estorvos. Mais professores, mais funcionários, a necessidade de uma maior estrutura onerosa para o Estado, mais estorvos.

Evidente que deve prevalecer o aspecto humano, em que a reprovação tem sérias conseqüências. Mas isto tem que ser estudado não de forma tendenciosa, desconsiderando que os alunos freqüentam um meio que não tem o mínimo interesse que saiam do seu estado de desconhecimento, e que garante a sua inércia social.

Baseados nestas idéias, os “donos do poder” desviam a atenção da sociedade para a escola, colocando uma nuvem sobre os cidadãos para que não enxerguem que os problemas não estão em seu interior, eles entram junto com os alunos que trazem todos os seus problemas do mundo em que vivem. A escola não é a geradora da violência. A sociedade sim. E o descaso das autoridades diante deste sério problema coloca em risco estudantes e profissionais da educação. A escola não desfaz a estrutura básica da sociedade que é a família. O sistema sim. A escola não determina as regras do ensino. O Estado sim.

Missão difícil a do professor, que todos os dias tem que retornar à caverna, desconhecido e incompreendido por todos, deve fazer o aluno acomodado a seus grilhões, entender que a sua sombra distorcida é apenas uma imagem que não precisaria ver. Que os sons ininteligíveis, não precisariam ser escutados. Que a semi-escuridão poderia ser substituída pela majestosa luz solar.

A escola no Brasil ainda está dentro da caverna... a do mito.

UM TIRIRICA MAIS, UM TIRIRICA MENOS...

Todas as atitudes humanas, mesmo nas situações mais simples, apresentam significados. Eles estão ligados às diferentes visões de mundo. Estas ligações podem se apresentar com aquilo que há de melhor, quanto com o que pior em um ser humano.

Fico aqui pensando porque as pessoas só dão importância aos fatos publicados pela mídia, discutem, brigam, deixam parte de suas preciosas vidas, às vezes em discussões estéreis, tentando se convencer que tem lugar importante, em um curto prazo, logo descartando o tema, se entregando a outro com o mesmo empenho.

Em alguns momentos, indignado, penso que errado estou eu. Penso que é natural criticar a candidatura e eleição do Tiririca, e esquecer que este Brasil está cheio de Tiriricas espalhados por estes mais de 8,5 milhões de quilômetros quadrados, por aí, administrando Estados, cidades, Assembléias. Quantos brasileiros já não elegeram um Tiririca? Quantos de vocês brasileiros, que afirmam que nunca votaram em algum Tiririca, tornaram-se cúmplices de sua eleição pela omissão.

Por mais que os grupos dominantes tentem escamotear, cada momento é revelador da pluralidade de idéias, todas expostas de forma concatenada, estrategicamente, para obter uma singularidade de atitudes. Assim, cada momento que deveria se apresentar diferenciado por uma clara superfície de separação, um divisor de águas, apenas se apresenta como uma mistura heterogênea de fatos e idéias, como um frasco cheio de água e óleo, que agitado apresenta aquelas inúmeras bolhinhas que não conseguem misturar-se antes de algum tempo, tempo esse meticulosamente estudado e com fins pré-determinados.

O alarde em torno da eleição do Everardo traz à tona todo o cinismo da sociedade brasileira, que determina em quem os brasileiros podem descarregar toda a raiva, todo o preconceito, sem o risco do rótulo.

Mas espere... Quem lê a parte inicial do texto pensará que quem o escreveu concorda com a eleição de um candidato semi-analfabeto, que até hoje só pôde ser ouvido na televisão falando e fazendo bobagem, afinal, é natural, pois se trata de um palhaço. Evidente que não concordo. Mas deve ficar claro que o que realmente quero são transformações completas, mesmo que para isso seja necessária a subversão no poder, a adoção de um novo contrato social, simplesmente porque não posso concordar em viver neste sistema que os fatalistas apresentam como inexorável rumo de uma sociedade embalada por uma orquestra de Tiriricas. Com maestros Tiriricas. Com povo Tiririca. Todos a criticar a eleição da imagem triste do significado do voto da quase totalidade dos brasileiros.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

JOHN LENNON

09 de outubro

Há muito tempo não chorava, mas o que posso fazer se estou chorando. Afinal hoje é o dia de chorar. Chorar antecipadamente a morte de John Lennon, que em 09/10 estaria completando setenta anos.

Embalado pelos Beatles, e principalmente por John Lennon, pertenço àquela geração de sonhadores. Faço parte daquele grupo de jovens que ainda podiam sonhar com um mundo diferente, melhor. Assim, quando escutamos – nós, jovens sonhadores – o lançamento de “Imagine”, aquela canção de paz e amor, ficamos fascinados. Em nossa ingenuidade de meninos ou adolescentes dos anos 60, enxergávamos aquele mundo do nosso ídolo maior, sem fronteiras, em que os homens poderiam viver em irmandade, dividindo cada espaço do planeta: “A brotherhood of man. Imagine all the people, Sharing. all the world”.

Hoje, quando me olho no espelho, já não consigo enxergar mais os cabelos castanhos que cobriam a minha cabeça no final daquela década. Eles hoje estão brancos, quase sexagenários, mas em um quase sexagenário com força ainda para querer o diferente, utópico, embalado pelo sonho da Terra Prometida, que ainda espera a concretização dos versos de Lennon: “Imagine todas as pessoas. Vivendo a vida em paz”.

The dream is over! O ídolo bradou. Será? Não, claro que não. O sonho jamais acabará. Pelo menos enquanto tivermos forças para lembrar que a década de 1960 não foi uma folha do calendário que foi virada sem ser vivida. What a magic years.

Para assistir o vídeo de Imagine (canção de 1971) vá até o fim do texto.

Imagine

Imagine que não há paraíso

É fácil se você tentar

Nenhum inferno abaixo de nós

Acima de nós apenas o céu

Imagine todas as pessoas

Vivendo para o hoje

Imagine não existir países

Não é difícil de fazê-lo

Nada pelo que matar ou morrer

E nenhuma religião também

Imagine todas as pessoas

Vivendo a vida em paz

Você pode dizer

Que eu sou um sonhador

Mas eu não sou o único

Espero que um dia

você se junte a nós

E o mundo, então, será como um só

Imagine não existir posses

Me pergunto se você consegue

Sem necessidade de ganância ou fome

Uma irmandade de homens

Imagine todas as pessoas

Compartilhando todo o mundo

Fonte: http://letras.terra.com.br/john-lennon/90/traducao.html




domingo, 26 de setembro de 2010

MORENINHA - de Casemiro de Abreu

Moreninha, Moreninha,
Tu és do campo a rainha.
Tu és senhora de mim;
Tu matas todos d'amores,
Faceira, vendendo as flores
Que colhes no teu jardim.


Quando tu passas n'aldeia
Diz o povo à boca cheia:
-"Mulher mais linda não há!
"Ai! Vejam como é bonita
"Co'as tranças presas na fita,
"Co'as flores no samburá!" -


Tu és meiga, és inocente
Como a rôla que contente
Voa e folga no rosal;
Envolta nas simples galas,
Na voz, no riso, nas falas,
Morena - não tens rival!


Tu, ontem, vinhas do monte
E paraste ao pé da fonte
À fresca sombra do til;
Regando as flores, sozinha,
Nem tu sabes, Moreninha,
O quanto achei-te gentil!


Depois segui-te calado
Como o pássaro esfaimado
Vai seguindo a juriti;
Mas tão pura ias brincando, pelas pedrinhas saltando,
Que eu tive pena de ti!
E disse então: - Moreninha,
Se um dia tu fores minha,
Que amor, que amor não terás!
Eu dou-te noites de rosas
Cantando canções formosas
Ao som dos meus ternos ais.


Morena, minha sereia,
Tu és a rosa da aldeia,
Mulher mais linda não há:
Ninguém t'iguala ou t'imita
Co'as tranças presas na fita,
Co'as flores no samburá!


Tu és a deusa da praça
E todo o homem que passa
Apenas vin-te... parou!
Segue depois seu caminho
Mas vai calado e sozinho
Porque sua alma ficou!


Tu és bela, Moreninha,
Sentada em tua banquinha
Cercada de todos nós;
rufando a ave no espinheiro
tu soltas também a voz:
- Oh! Quem me compra estas flores?
São lindas como ao amores
"Tão velas não há assim;
"Foram banhadas de orvalho,
"São flores do meu serralho,
"Colhi-as no meu jardim." -


Morena, minha Morena,
És bela, mas não tens pena
De quem morre de paixão!
- Tu vendes flores singelas
E guardas as flores belas,
As rosas do coração?!...


Moreninha, Moreninha,
Tu és das belas rainha,
Mas nos amores és má;
- Como tu ficas bonita
Co'as tranças presas na fita,
Co'as flores no samburá!


Eu disse então: - Meus amores,
"Deixa mirar tuas flores,
Deixa perfumes sentir!"
Mas naquele doce enleio,
Em vez das flores, no seio,
No seio te fui bulir!


Como nuvem desmaiada
Se tinge de madrugada
Ao doce albor da manhã;
Assim ficaste, querida,
A face em pejo acendida,
Vermelho como a romã!


Tu fugiste, feiticeira,
E decerto mais ligeira
Qualquer gazela não é;
Tu ias de saia curta...
Saltando a moita de murta
Mostraste, mostraste o pé!


Ai! Morena, ai! Meus amores,
Eu quero comprar-te as flores,/mas dá-me um beijo também;
Que importam rosas do prado
Sem o sorriso engraçado
Que a tua boquinha tem!...


Apenas vi-te, sereia,
Chamei-te - rosa da aldeia -
Como mais linda não há.
- Jesus! Como eras bonita
Co'as tranças presas na fita,
Co'as flores no samburá!


FONTE: http://www.casimiro.rj.gov.br/poemas.php?op=Moreninha


quinta-feira, 23 de setembro de 2010

CIDADE ACESA

Talvez seja pelo avanço inexorável da idade (meu Deus!), que me surpreendo e encanto em cada passo com coisas inusitadas, até com aquelas velhas tampas de esgotos espalhadas pelo centro da cidade e começo a devanear (o que parece, a princípio, uma pobreza de espírito). Vejo muitas já desgastadas, e que já não é mais nem possível ler as velhas inscrições que datam o início do século passado. De forma intrigante, não consigo deixar de imaginar quantas pessoas já passaram ali, gastando aquela grossa placa de ferro fundido, deixando-a completamente lisa.

Andar pelo centro para esse observador, então, tudo é história. Até os antigos postes de ferro cerrados, quase imperceptíveis junto ao passeio da Rua Vinte e Quatro de Maio, que trazem recordações dos bondes, remetendo-me sonhador aos seus antigos passageiros, e que muitos conheci, de todas as classes sociais, predominantemente do proletariado, que usavam aquela lenta condução para se deslocar na minúscula cidade, por uma passagem com preço proporcional, chacoalhando no pequeno espaço que arrastava atrás de si aquela nuvem de poeira de cinza, sobra das velhas locomotivas e colocada à beira da linha para cobrir a areia.

Enquanto ando pela rua mutilada posso rever os trilhos, e percebo que alguns ainda deixaram algumas marcas sutis e teimosas que se esgueiram entre os paralelepípedos, com toda a certeza para não se deixar esquecer. Impossível não lembrar os finais de linha, quando o motorneiro se apressava para virar os bancos no sentido do novo itinerário, para que os passageiros ficassem com sua visão voltada para frente do transporte coletivo.

Incrível é que quando pensamos, somos arrastados por um redemoinho que nos arrasta, e desse modo, sou levado a imaginar conversas fúteis e até conluios tramados nas paradas, nos corredores e nos bancos dos velhos bondes em tempo fugaz. Vivendo em um momento político, penso comigo mesmo quantos candidatos certamente surgiram em alguns dos itinerários, no Saraiva, no Prado, no Esporte, no Linha Nova, no Parque. Quantos políticos eleitos perderam e ganharam convicção ali. Discorrendo às intimidades, tento adivinhar quantos casamentos provavelmente desfizeram-se pelo descobrimento, no interior dos velhos bondes, da sintonia de um coração que pulsava em compasso diferente, mas que atendia o ritmo do amante desconsolado ou da amante desconsolada. Quantas viúvas encontraram um novo amor e deixaram de chorar seus prantos naquele velho sonho do passado.

Bonde dos sonhos desfeitos. Bonde dos sonhos construídos. Bonde dos intolerantes inimigos. Bonde dos amantes. Bonde dos ignorados.

Vinte quatro da história racional. Vinte Quatro da poesia sentimental. Vinte e Quatro das passeatas e dos desfiles passageiros.

Em Rio Grande, e em todo o lugar, só encontramos ruas dos sonhos. Basta querer com elas sonhar.