Todas as atitudes humanas, mesmo nas situações mais simples, apresentam significados. Eles estão ligados às diferentes visões de mundo. Estas ligações podem se apresentar com aquilo que há de melhor, quanto com o que pior em um ser humano.
Fico aqui pensando porque as pessoas só dão importância aos fatos publicados pela mídia, discutem, brigam, deixam parte de suas preciosas vidas, às vezes em discussões estéreis, tentando se convencer que tem lugar importante, em um curto prazo, logo descartando o tema, se entregando a outro com o mesmo empenho.
Em alguns momentos, indignado, penso que errado estou eu. Penso que é natural criticar a candidatura e eleição do Tiririca, e esquecer que este Brasil está cheio de Tiriricas espalhados por estes mais de 8,5 milhões de quilômetros quadrados, por aí, administrando Estados, cidades, Assembléias. Quantos brasileiros já não elegeram um Tiririca? Quantos de vocês brasileiros, que afirmam que nunca votaram em algum Tiririca, tornaram-se cúmplices de sua eleição pela omissão.
Por mais que os grupos dominantes tentem escamotear, cada momento é revelador da pluralidade de idéias, todas expostas de forma concatenada, estrategicamente, para obter uma singularidade de atitudes. Assim, cada momento que deveria se apresentar diferenciado por uma clara superfície de separação, um divisor de águas, apenas se apresenta como uma mistura heterogênea de fatos e idéias, como um frasco cheio de água e óleo, que agitado apresenta aquelas inúmeras bolhinhas que não conseguem misturar-se antes de algum tempo, tempo esse meticulosamente estudado e com fins pré-determinados.
O alarde em torno da eleição do Everardo traz à tona todo o cinismo da sociedade brasileira, que determina em quem os brasileiros podem descarregar toda a raiva, todo o preconceito, sem o risco do rótulo.
Mas espere... Quem lê a parte inicial do texto pensará que quem o escreveu concorda com a eleição de um candidato semi-analfabeto, que até hoje só pôde ser ouvido na televisão falando e fazendo bobagem, afinal, é natural, pois se trata de um palhaço. Evidente que não concordo. Mas deve ficar claro que o que realmente quero são transformações completas, mesmo que para isso seja necessária a subversão no poder, a adoção de um novo contrato social, simplesmente porque não posso concordar em viver neste sistema que os fatalistas apresentam como inexorável rumo de uma sociedade embalada por uma orquestra de Tiriricas. Com maestros Tiriricas. Com povo Tiririca. Todos a criticar a eleição da imagem triste do significado do voto da quase totalidade dos brasileiros.
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