terça-feira, 21 de abril de 2009

LITERATURA

Além da paixão pela História, sou aficionado em literatura. Gosto de romances e poesias.
São vários os livros que gostaria de apresentar e certamente o farei em tempo oportuno.
O primeiro livro, a primeira obra que gostaria de comentar é poesia. O trabalho de um grande poeta romântico brasileiro do século XIX: Casimiro de Abreu.
Este jovem fluminense que faleceu prematuramente legou um trabalho belíssimo que recebeu elogios de Alceu Amoroso Lima, Machado de Assis, Olavo Bilac, Manuel Bandeira, Silvio Romero, todos sem economizar elogios ao poeta.
Casimiro de Abreu nasceu no Rio de Janeiro em 04 de janeiro de 1839 e faleceu em 19 de outubro de 1860. Viveu pouco mais de vinte e um anos, mas o suficiente para marcar a literatura brasileira com obras que tiraram de Sílvio Romero elogios como este: “É muitas vezes um cantar de fogo disfarçado em volatas doces e sutis como cochichos de brisas e flores; é alguma coisa de doloroso, de veemente velada em gazas de seda e arminho, sentida como uma punhalada, mas suave e macia como pétalas de odorosos jasmins”, ou este de Manuel Bandeira: “ Casimiro de Abreu é seguramente o mais simples, o mais ingênuo de nossos poetas e isso soube conquistar a ele o primeiro lugar na preferência do povo”.
Transcrevo abaixo um fragmento da poesia Moreninha escrita em 1857:
Moreninha, moreninha
Tu és do campo a rainha,
Tu és senhora de mim;
Tu matas todos d’amores,
Faceira vendendo as flores
Que colhes no teu jardim.

Quando tu passas n’aldeia
Diz o povo a boca cheia:
- Mulher mais linda não há!
“Ai,! Vejam como é bonita
“Co’as tranças presas na fita,
“Co’as flores no samburá!” –

(...) Ai! Morena, ai! Meus amores,
Eu quero comprar-te as flores,
Mas dá-me um beijo também;
Que importam rosas do prado
Sem o sorriso engraçado
Que a tua boquinha tem?...

Apenas vi-te sereia,
Chamei-te – rosa da aldeia –
Como mais linda não há.
- Jesus! Como era bonita
Co’as tranças presas na fita,
Co’as flores no samburá!

Merecedor de destaque também é o não menos genial Álvares de Azevedo, poeta do período romântico do mesmo século.

Por Mim?

Teus negros olhos uma vez fitando
senti que luz mais branda os acendia,
Pálida de languor, eu vi-te olhando -
Mulher do meu amor, meu serafim,
Esse amor que em teus olhos refletia...
Talvez! - era por mim?


Pendeste, suspirando, a face pura,
Morreu nos lábios teus um ai perdido...
Tão ébrio de paixão e de ventura!
Mulher do meu amor, meu serafim,
Por quem era o suspiro amortecido?
Suspiravas por mim?


Mas... eu sei!... ai de mim? Eu vi na dança
Um olhar que em teus olhos se fitava
Ouvi outro suspiro... d'esperança!
Mulher do meu amor, meu serafim,
Teu olhar, teu suspiro que matava...
Oh! não eram por mim!


AZEVEDO, Manuel Antônio Álvares. Lira dos vinte anos. Porto Alegre: L&PM, 1988.

2 comentários:

Unknown disse...

Caro colega, teu blog está "supimpa"! É informativo e educativo. Parabéns, não só pelo blog, mas também e, principalmente pelo teu trabalho, que cada vez mais, mostra-se inovador e desafiador.

Unknown disse...

Caro colega, teu blog está "supimpa"! É informativo e educativo. Parabéns, não só pelo blog, mas também e, principalmente pelo teu trabalho, que cada vez mais, mostra-se inovador e desafiador.