terça-feira, 22 de setembro de 2009

PLÁGIO & ESCOLA OU

PLÁGIO & MODA

Fico a me perguntar se devo surpreender-me com alguma coisa na idade que estou. Ao ligar a televisão, tanta violência, tantas guerras militares travadas nos mais distantes lugares por motivos sórdidos, guerras civis tão próximas estrategicamente escamoteadas pelos espertalhões de plantão no poder, são fatos que ao lado da corrupção, tornam banal o que deveria ser combatido com haraquiri.

Diante de uma realidade de mentiras, ao escrever, fico dividido entre duas opções: a linguagem “soft”, poética que admiro tanto, ou a fria, que parece sobrepor-se a todas as outras diante de fatos tão horrorosos.

As pessoas confundem-se em coisas simples e felizmente, possibilitam o meio termo entre o “soft” e o “hard”. E é assim que então pretendo posicionar-me dentro deste espaço.

Ameno para um professor é falar (no bom sentido) de aluno.

Recebo dezenas de trabalhos durante o ano e considero importante algumas observações com um exemplo que evitará que meus alunos incorram no mesmo erro. Para isso peço que observem alguns trabalhos apresentados, e tenham certeza que não se restringem à nossa escola, ao ensino fundamental ou médio, ele acontece até no nível superior: as cópias de trabalhos da internet.

Quando um professor solicita a execução de um trabalho, a finalidade não é facilitar a sua tarefa – dele, professor -, para mim pelo menos não é, porque a dificuldade para corrigir trabalhos até pela escolha de critérios já é muito complicado. Soma-se a isso o volume de papéis, a desorganizações de muitos, o descumprimento de prazos, restando então, o trabalho como uma forma de aprendizado com a facilidade do momento conveniente ao aluno para sua realização.

Alguns estudantes, no entanto, não sabem aproveitar as oportunidades. O exemplo mais claro são as cópias descaradas em que nem os “lincks” são retirados para impressão, as cores, os parágrafos que não são justificados, e tantos detalhes que para que tem duas décadas de computador não passam despercebidos. Mas o cúmulo foi o que presenciei na disciplina de um colega. Ele deu um texto para tradução do português para o inglês. O grupo de alunos recorreu ao tradutor do “deus Google” e foi atendido. Só que a falta de atenção fez com que apresentassem a tradução do texto do português para o alemão. Entregaram o trabalho que copiaram “ipsis literis”, aliás nem copiaram, pressionaram Ctrl T, Ctrl C, Ctrl V.

Esse acontecimento não pode ser considerado um fato isolado. Copiar trabalho é plágio, independente se foi no mesmo idioma ou não. É inaceitável mesmo que deixe poucas pistas que permitam que a fraudes sejam flagradas, e seu uso contínuo nos estabelecimentos de ensino, passa a se constituir em um lamentável fato a ser incluído naqueles do início do texto: a banalização do errado, do inaceitável.

Nenhum comentário: